Muita coisa acontece depois que você descobre que seu ex-namorado é o "Psicopata Italiano" e percebe que ele, de nada, lembra o Christian Bale. Junta isso com a redescoberta de que você, nem de longe, sabe o que quer da vida. Adicione um pai super legal.
Hoje eu decidi que vou sair do país. Vou pro México tentar a sorte como ator de novelas. #prontofalei. Porque eu acho que o Multiply é o Twitter.
Faz tempo que choro no meu interior com a infelicidade de me chamar Carlos. Não entendo o porquê de minha mãe ser tão cruel e não me dar um nome duplo como Carlos Frederico ou Carlos Manoel. Mas a vida não é facil e sei que se fosse assim, minha aventura no México seria muito mais tranquila. Nunca nada é tranquilo.
A verdade é que cansei de comunicação social - que de cú, é rola. Decidi fazer turismo, só que esqueci de me matricular. Aí eu decidi fazer turismo. Não tanto turismo pela palavra. Vou ser turista no México pra tentar ganhar a vida. Vou trabalhar como garçom para juntar dinheiro pra fazer a CAL, digo, CAG - Casa de Artes de Guadalajara. Meu sonho é ser Betty, mas eu sou bonito.
O que importa - realmente - nisso tudo é que eu vou sair daqui. Vou tentar, agora de verdade, me achar nem que seja me achar bebado dormindo em uma lata de lixo. Vou procurar como são as latas de lixo do México pra poder já ter uma noção do tamanho do travesseiro que preciso levar.
Só fico triste de deixar as novelas brasileiras para trás. Foda-se os amigos, eu fico puto mesmo é de perder a nova novela do Manoel Carlos. Mas tudo isso é por um sonho maior. Me tornar o maior ator de novelas mexicanas e ser convidado pelo Fantástico para fazer uma matéria sobre minha vida.
Ai, sonhos e esperanças para doismilenove...
Estava indo dormir, mas parou para falar com um amigo na internet. Se sentiu útil, valorizado. As mil dúvidas sobre o futuro perderam um espaço no vazio. Instantes preciosos e simples. Fumou vários cigarros. Comeu dois pães e bebeu um copo de pepsi light com dois cubos de gelo.
Nunca soube fazer nada perfeito, mas sempre soube fazer tudo direito. O que mais gostava de fazer estava de certa forma esquecido. Adormentado. Só que aqueles 46 minutos foram o suficiente para acordar aquilo. Ficou lendo e lendo. Fumou mais alguns cigarros. Se divertia com as próprias coisas. Lembrou-se de diversos momentos eternizados naquelas páginas. Fez projetos e voltou a escrever.
Está escrevendo ainda, mas não quero atrapalhar. Fiquem em silêncio por favor. A última coisa que desejo nesse momento é disturbar sua concentração. Estou feliz por ele. Quem sabe nesse próximo ano as coisas não mudem. Projetos de início de ano, eu sei. Pelo menos metade das coisas já está certa. Falta uma só, mas tenho certeza que acontecerá. Mais, tenho certeza que o ajudará tremendamente e o fará tomar novos rumos.
Ele está terminando. A música no rádio também está acabando. Uma canção italiana que diz algo como "Ate as minhas mãos. Ate minhas pernas." Não entendo muito a língua. Acredito que ele está indo na direção contrária. Os nós estão se desfazendo. A felicidade dentro de mim é tamanha que não consigo mais me expressar direito.
Uma outra música começou, mas a escrita dele acabou. Está indo dormir. Vou acompanhá-lo até a cama. Boa Noite.
E o cão, ao acordar, fez o caminho inverso. Não pegou estrada alguma e muito menos tentou voltar para casa. Ali, parado, se sentiu menor. Talvez a velhice tenha chegado em poucas horas, pensou. Talvez o tempo correu ao contrário. Pois ele estava bem ali, com todas as lembranças de tudo o que já havia vivido, mas com o tamanho de um recém nascido. Ficou onde estava. Tentou entender o que havia acontecido. Fechou os olhos e procurou uma solução. Ao abrir novamente, desistindo de encontrar qualquer resposta, percebeu que o relógio do tempo realmente voltara ponteiros. Estava em casa. Correu para o quarto de seu dono e ele estava lá, dormindo. Latiu, latiu e finalmente o dono acordou daquele sono que durara tanto. Correu atrás dele e pediu para brincar no jardim. Antes, caminhou por toda a casa para se certificar de que tudo estava ali, perfeito e no mesmo lugar. A emoção por estar de volta era maior que todos os cavalos e outros animais já vistos por ele. Mas a sensação de ter uma segunda chance o amedrontava. E se cometesse o mesmo erro de antes? E qual erro na verdade havia cometido para que tudo se tornasse tão difícil como estivera? Por um segundo, pensou estar arrependido de se sentir feliz. Como poderia, afinal, renegar o seu dono e todo o amor que lhe era dado? Num ataque de pânico correu para debaixo da cama. Era o seu refúgio. E ali decidiu continuar até que resolvesse a questão. Já havia se acostumado com a vida na rua e já encontrava seus prazeres. Ao mesmo tempo, sentia saudade da emoção de correr pelo jardim enquanto brincava com seu dono. E aquela dúvida poderia deixá-lo ali, imóvel. Estagnado. Preso àquele medo incrivelmente grande. Decidiu sair. Devagar, para se certificar de cada passo. E caminhando foi...
 | Arrepios | Nov 30, '06 1:23 AM for everyone |
Então eu olho em sua direção Mas você não presta atenção em mim, presta? Eu sei que você não me escuta Pois você enxerga através de mim, não enxerga?!
Mas cada vez mais Da hora em que eu acordo Ao momento em que vou dormir Eu estarei lá do seu lado Apenas tente me impedir Estarei esperando na fila Só pra ver se você se importa
Oh, você queria que eu mudasse? Eu mudei de verdade E eu quero que você saiba que você terá sempre seu lugar E eu queria dizer
Você nao se arrepia? Você se arrepia Cante isso alto e em bom som Eu sempre estarei esperando por você
Então você sabe o quanto eu preciso de você Mas você nem me vê. Ou vê? E essa é a minha ultima chance de ter você?
Mas cada vez mais
Da hora em que eu acordo
Ao momento em que vou dormir
Eu estarei lá do seu lado
Apenas tente me impedir
Estarei esperando na fila
Só pra ver se você se importa
Oh, você queria que eu mudasse?
Eu mudei de verdade
E eu quero que você saiba que você terá sempre seu lugar
E eu queria dizer...
Você nao se arrepia?
Você se arrepia Eu sempre estarei esperando por você
Sim, eu estarei sempre esperando por você Sim, eu estarei sempre esperando por você
Sim, eu estarei sempre esperando por você
Por você eu estarei sempre esperando
E é você quem eu vejo Mas você não me vê E é você, que eu ouço Em alto e bom som Eu canto em alto e bom som E eu estarei sempre esperando por você
Coldplay - Shiver
"""Ciclos. Triciclos. Quadriciclos. As coisas mudam de valores e estes são invertidos. As inversões trocam de lugar, que são desvalorizados. Os lugares e as coisas são sempre ciclos. Triciclos. Quadriciclos. Não importa os ciclos que forem. Eles estarão sempre ao seu redor. Até você sair do ciclo. Dos triciclos. E com quadriciclos."""
(Me perdoem pela falta de acentos. Aqui na Italia nao tem acentos no teclado)
E começa assim:
"Quando eu estava ainda na casa dos 20, a Cinha. Na verdade ainda tenho, pois eu a conservo ateh hoje. Ta guardada ali , no armario, do lado do pote de picles em conserva."
E a Cinha nao fumava pela gramatica. Por que ela gostava do LA e soh tinha LM. E ela se emputecia. Mas ontem eu resolvi comer pela gramatica. Que mal pode haver nisso? A vontade de comer Tortellini era imensa mas o restaurante estava fechado. Entao, decidido em fazer aquilo, fui na loja, e comprei Tortillas. Se a gramatica eh parecida, o saber eh quase o mesmo (?!)
Mas isso eh a parte mais irrelevante da historia, que começa...
Agora.
Enquanto eu pensava na Cinha dentro de um pote de conserva - eu estava rindo. E Eu estava imaginando proprio esse post, onde eu, lah pelos 40, falava sobre os meus amigos. Sera que eles ainda estarao comigo? Todos pensam nisso. Eu PRECISO de ter todos os meus amigos retardados (e os serios tb, mas eles nao existem por enquanto) comigo fazendo festa no motel com 40 anos. Ou indo pra casa da Vanessa (que jah estara casada e com filhos) pra beber com os fillhos dela, assim como faz a mae dela hoje. E eu PRECISO fazer todas as piadas sincronizadas com a Cinha. Chamar a Brenda de maconheira, a Carol de lenta, o PC de anao e me jogar em cima do Fernando. E levantar a saia da Paty quando ela jah tiver com a bunda flacida e a perna cheia de celulites e estrias. Quero levar a Paulinha no carro (pq espero que ela jah tenha um carro ateh lah) e rir da cara da Cris. Beber e jogar com a Thais. Ir almoçar com a Bruna na Urca. Inventar coisas pra Luciana acreditar. ir pro cu da foca com a DNTT. Conversar sobre filosofia com a Joana durante noites...e passar outras noites fazendo reunioes com as meninas da vila, pra lembrar todas as merdas que fizemos em todos os anos. Ir pro predio da Ana e da Talita, pedir pizza no Xodo (mesmo que ela jah esteja morando em outro lugar) e ficar contando tudo o que aconteceu nas nossa vidas e rindo como animais. Ver os jogos de Futebol Americanona Praia com as Tatuetes...Mas por favor, nao pensem que eh sindrome do Peter Pan. Eu quero crescer, eu quero ter 40 anos e eu quero fazer essas coisas ainda pq sao as coisas que mais me deram alegria nesses ultimos anos. E sabe como eu sei que isso eh possivel?
Meu irmao. Que desde a epoca do segundo grau mantem os mesmos amigos. Alguns se foram, obviamente. Mas a essencia eh aquela ali. Sao pessoas que frequentam minha casa ha mais de 15 anos. Alguns se casaram. Outros tiveram filhos. Pessoas novas se juntaram. Meu irmao jah tem 31 anos e eh tao retardado quanto a gente. Entao eu faço um pedido oficial, para todos que lerem esse post: Retardamento rumo aos 40. E depois aos 50. E todos juntos fazendo churrasco na final da copa de 2026. Esta combinado!
SaLdades de Todos Voces.
A rua feita de paralelepipedos machucava suas patas ainda frageis. Nao queimava como antes pois o sol ja havia sumido do ceu e agora uma bela lua minguante tomava o seu lugar. Ainda estava claro. Cadeiras enormes cobriam a calçada e pessoas comiam e bebiam nos restaurantes, falando alto como sempre e derramando vinho no chao. Um pouco mais pra frente, encontra pelo chao uma pequena poça marrom escura. Uma pausa para cheirar e reconhecer o que era aquilo. Uma timida lambida mostra o sabor de chocolate. Ainda estava gelada e isso so poderia dizer que era um sorvete que alguma criança desastrada deixou cair. Um forte barulho surge ao seu lado e este se poe a correr pro outro lado da rua. Atento, repara em todos os movimentos daquele homem magro e careca, que carrega uma caixa vazia de leite e a leva ate a lixeira. Sentada em frente a sorveteria, uma jovem senhora loira, por volta dos quarenta anos, que fuma um cigarro e observa o movimento na rua. O homem careca fala alguma coisa pra a tal senhora, coisa esta que obviamente é inintendivel. Um latido e um grito. Na mesma hora o sentimento de solidao que ha tanto sentia se torna mais forte e o faz fugir.
Andando lentamente por aquela estrada sem fim, sua tristeza vai aumentando gradativamente. Que saudade daquela epoca em que seu dono lhe dava tudo o que precisava. Acordava junto a ele e ia brincar no imenso jardim. Quando o sol chegava no topo da sua rota, sabia ja que era hora de almoçar, indo dormir logo depois, tirando uma bela soneca por umas duas horas. Alem de todos os seus amigos que moravam ao redor. Ate que um dia o dono nao acordou mais. Chegaram umas pessoas desconhecidas e ele entao fugiu, com medo.
No bar de esquina tocava uma musica. Uma melodia suave com a voz de uma mulher. "I'm so tired, of playing with this bow and arrow..." dizia a cançao. E o cansasso tomava conta do pequeno canino. Suas patas ainda frageis pediam descanço e seu faro o levou a um lugar escondido e seco o suficiente para dormir. Seus olhos pesaram, suas patas se sobraram e ele se adormentou. Sozinho, como ha tempos estava e se sentia.
Pois bem. O Kk é chique e ta nas Oropa.
E ta aprendendo a fazer faxina.
Como eu sou uma boa pessoa, ajudo sempre o Sergio a lavar as coisas que ELE suja pra fazer sorvete. Assim, bastantes coisas no meu plural errado. E como ele e uma pessoa legal me da um dinheiro pra fazer isso.
Mas a minha coluna nao aguenta. Nao, nao aguenta.
Todos os dias eu me levanto entre 10 e 11 da manha e desço pra fazer a faxina. Varro, passo pano, limpo o balcao. Alem disso lavo as coisas sujas e varro, passo pano, limpo. Termino quando ele termina. Logicamente se ele decidir trabalhar o dia inteiro eu sou obrigado a fazer o mesmo!
Ferias! Oba!
Mas como eu sou uma pessoa que sabe viver em comunidade...
Faço faxina em casa também. Ainda mais agora que a mae dele viajou e estamos soh eu, ele e a irma, Daniela. Hoje mesmo eu varri. Varri. Varri a casa inteira. Tambem tirei a roupa da maquina, coloquei roupa pra lavar na maquina e lavei roupa na mao. Uma bermuda, ok. O Casaco eu nao consegui. So nao passei pano pq a Dani chegou e falou que faria.
Adoro pessoas gentis.
Mas, ai, minha coluna.
Que saudade de morar com minha mae.
[CENA 1]
[Menina triste no terraço. Anda e conversa com as plantas. Chora um pouco. Se senta perto dessas plantas. Entao, começa a cantarolar uma musica.]
"Tao triste eu estou, me diga porque, eu sei que nao da pra dizer.
Tao triste eu estou, ninguem quer saber. Soh mesmo voce pra entender.
Meu verde que te quero verde, motivo da minha esperança.
Meu verde que te quero verde, pro mundo virar mais criança."
[Frutas entao começam a brotar. Ela pega uma delas, abre e passa no rosto. No fim, se adormece.]
Pra quem nao se lembra, se trata obviamente de Lua de Cristal. Cena um pouco modificada.
Agora.
Substituam a menina triste por mim, cansado.
Esqueçam a parte da fruta tb, suja muito.
Mas me ponham num jardim, tirando as plantas que matam as outras plantas que nao sei como se chamam.
Mas mantenham a musica.
Isso era eu ontem.
Oi, meu nome praticamente é Maria da Graça.
Acordei. Desta vez sabia tudo o que tinha acontecido, mas preferia nao saber. Abro os meus olhos. Ou nao. Por mais que eu ja estivesse acostumado, ainda me sentia irritado por nao saber o motivo daquele loucura toda. Sinto cheiro de hospital. Ainda nao me levaram pra casa. Enfim decido abrir os olhos. Nenhuma novidade. Tudo turvo. Nem me dou o trabalho de me preocupar e perguntar algo ao medico.
Hora de ir embora. Angela sempre ali do meu lado. Te levo em casa, estou com o carro ai fora. Nao sei o que seria de voce. Acho que seria melhor nao ter dito aquela frase. Uma unica frase capaz de armar uma bomba. Com a cara fechada andamos ate o carro. E a bomba explodiu. Uma explosao capaz de destruir uma cidade inteira e deixar milhares de desabrigados. Uma explosao interior que se exteriorizou apenas em mim. Uma bomba capaz de destruir uma cidade inteira sobre mim. Obviamente, fiquei em pedaços.
Estou cansada dessas merdas que voce faz. Estou cansada de ter que te carregar. Pro hospital. Pra cama. Pra fora dos lugares. Voce nao esta bem e age como se estivesse tudo em ordem. Quando voce vai crescer? Quando voce vai se portar como um adulto? Quando eu vou poder parar de me preocupar com tudo o que voce faz? Voce me assutou porra! Eu nao aguento mais. Eu sou sua amiga. Eu te amo. Mas assim nao rola, porra. Porra! Seu filho da puta! Tua mae nao tem nada a ver com isso! Tu foi achado na lixeira, seu merda! Eu tava morrendo de preocupaçao naquela bosta de sala de espera!
Algumas das frases que eu consegui ouvir alem do impacto. O pior era pensar na realidade de cada letra saida de sua boca. Eu nunca precisei acordar pra vida e o alarme estava tocando uma musica ensurdecedora bem ao pé do meu ouvido.
Sai do carro! Sai do carro! Lagrimas. Minhas e dela, que parou o carro assim que pode. Puxei a maçaneta. Botei um pe para fora e ela gritou novamente. Nao sai do carro porra! Seu merda! A unica face que eu poderia olhar sem neblinas agora me deixava constrangido. Meus olhos nao subiam e eu nao os forçava. Eu era um cao arrependido sem aquele charme extra que um cachorro tem. Mas ai ela grita novamente. Olha pra mim! Olha na minha cara e me diz que estou errada!
Senti uma mao puxando meu queixo. Com toda a força que Angela sempre teve, foi muito rapido e assustador. Fui virado a força em sua direçao, pisquei os olhos. Fraçao de segundos. Neblina. Nao conseguia ve-la. Novamente nao conseguia ve-la. Me apavorei e gritei.
Açao e Reaçao. Grito. Susto. Força.
Na hora nao sabia o que fazer. Lembro que ele foi empurrado pra tras, por mim e a porta ainda estava aberta. Ele caiu. Um pouco torto e bateu a cabeça no chao. Sangue. Sai do carro e grito. Ele nao responde.Sangue. Medo. Coloquei ele novamente no carro e voltei pro hospital. Essa rotina ja esta me estressando. Chegamos no hospital. Emergencia. Emergencia. E nada de ele acordar. Morto. Nao. Nao. Morto nao pode estar. Desespero. Lagrimas e lagrimas. Lagrimas.
Pensei que nunca fosse acabar. Levaram ele la pra dentro e nao deram noticias. Segundos eternos. Aquele homem de branco portador de noticias ruins se aproximava com toda a calma que eu nao tinha. Olhava em volta e nao tinha ninguem pra me segurar caso eu caisse. Por favor, nao soletre. Diga as palavras inteiras. Sem respirar. Sem usar termos. Sem demora.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1
Ele esta lah dentro.
Isso eu ja sei.
Esta tudo bem, pode ficar tranquila.
Alivio. Mas mesmo assim eu cai.
Quando eu acordei Angela estava ja ao meu lado. Olhei pro seu rosto que sorria com uma raiva enorme de mim, mas estaria ali pra sempre se fosse por mim. Nao tinha mais neblina, nem nada turvo em volta dela. Recebi um abraço como nunca havia antes. E assim eu percebi tudo o que estava acontecendo. Minha vida dando mil giros por segundo. Pessoas instaveis e eu me desestabilizando cada vez mais, tropeçando em pedra atras de pedra. As relaçoes inexistentes com as pessoas se materializou e me fez deixar de enxergar o que eu ja nao via, mas pelas vias de fato. Tanto sofrimento para perceber o que era obvio. E as vezes o obvio so é obvio pra quem o ve assim. E entao eu entendi.
FIM
Aviso a quem interessar possa, que todos que tem inveja da Xuxa em Lua de Cristal pode começar a me invejar também.
[Pausa para o inicio da inveja]
O Sergio tem uma moto. Daquelas que o Bob tem no filme. Nao daquele modelo mas o que vale eh a intençao. E agora eu rodo pela cidade de moto.
Nao vejo a hora de passar por um tunel pra ver se a moto vira um cavalo lindo e o Sergio vira o Sergio Mallandro (oi!?).
Mas eu queria msm era ser raptado pelo Mauricinho. Depois me afogar tomando varios caixotes no raso. Aih o Sergio me pegava, gritava meu nome. Paquitas e Paquitos em volta de mim. Todos chorando.
Mas claro que depois eu acordava, dizia: Ha! Nao morri! Era brinks!!
E logo depois ia fazer um show cantando Lua de Cristal.
Que maximo!
E na pausa pro cigarro:
"Hi...do u have.." - chego eu e minha humildade pra pedir um isqueiro, visto que tinham jogado o meu fora no aeroporto do rio e esqueci de comprar em paris.
"Oi! Voce estava no mesmo voo que eu...na fileira na minha frente!!
Como diabos ela lembrava eu nao sei, mas encontrei a primeira brasileira da viagem. E aih e aih. Vai Pra onde Vai pra onde? Bla bla bla vou pegar o voo.
Mais duas horas naquele treco (desta vez nao tao enorme) que voa. E a aeromoça bandejeira mais simpatica ever.
Finalmente: Bologna. Terra de Ragu, Sergio e Calor. Dos Infernos. Por um momento eu pensei que o aviao tinha caido e eu nao tinha ido parar em Lost. Ai Sol. Ai Sol. Assim me queima, seu filho da puta.
Nao falarei de emoçoes aqui, encontros, nada disso. Pra quem ainda duvida da minha ansia de chegar aqui e ve-lo, passe para o proximo blog.
E que alegria ver essa cidade novamente. E de comer sorvete de graça a hora que eu quiser.
Daniela, a minha cunhada, abriu um sorriso enorme ao me ver. E o mesmo fez Angela. E todos os que eu reencontrei. Mas nada se compara a festa feita pela Valeria e sua filha Elena, pelas quais tenho maior simpatia e empatia. Foi otimo.
Comi sorvete e carreguei a mala 3 andares de escada. Ai coluna. E entao, obviamente, eu dormi.
Mas acordei mais tarde e fui comer pizza. Claro. O que mais eu poderia comer? Macarrao, ok, mas nao eu nao sou o maior fa. Entao. Pizza.
E assim foram todos os dias. Eu me levanto. Vou ate a janela. As minhas vias nasais sempre secas. Fumo o primeiro cigarro observando a vida da Via Saragozza e a enorme Porta Saragozza. Depois eu desço e faço o "estudante esquisitao que tem coragem de viajar pra ficar lavando o chao". Ta, eu lavo a louça e preparo sorvetes tb. Mas falar que sou faxineiro na Italia é mais cult e me da um ar intelectual, ok?
Eu nao consigo diferenciar muitos os dias. Mas em um dia eu fui ver um show que tava rolando numa praça aqui perto. Piazza Santo Stephano. Mas logo saimos e fomos pra Piazza Maggiore, onde montaram um telao enorme para o "Bé" (Bologna Estate) desse ano. E um festival de varias coisas por causa do verao. Tava passando "Desventuras em Series" com o Jim Carrey. Sempre dublado, pois aqui eles soh veem filmes dublados. Ai. Pagamos 5 euros por uma long neck de Becks. Uma cerveja ruim. E nada disso do que pensou a cinha. Eh soh cerveja.
No outro dia que fomos pra essa praça pro show tambem encontramos uns amigos dele da Escola. Nao lembro o nome agora. Mas uma era artista e parecia ter saido de "Os Nerds Contra atacam" ou algum filme com pessoas estranhas. Ja a Toni eh bem simpatica. Nao que a outra nao seja, mas ela eh artista. Estranha. Ficamos um pouco no show, muito bom. Nao lembro o nome da banda. Depois fomos num pub otimo onde bebemos mais cerveja ruim. A cerveja aqui eh mto ruim. Ai que saudade do Cu da Foca. Depois comemos uma pizza. Sempre.Mais tarde voltamos pro show e saimos no final pra ir a um lugar mega otimo. Se chama Quadriportico, mas imaginem um lugar quadrado. Grande. Com pilares e janelas, mas sem teto. Um buraco no predio. Era isso. Muitos estudantes. Cerveja mais ou menos. Mojito pessimo. E bate papo. E uma musica descrita como um folk psicodelico e lisergico. Interessante mas muito alto. Atrapalhava as conversas.
Dali pro Escorpione. De longe o lugar que eu mais amo. A Osteria. Ficamos sentados no murinho de fora com os amigos da Danie a Bettina que poderia ser Bettona de tao gorda. E aih a melhor parte. Cerveja mais ou menos. E uma mulher entrando em um predio acompanhada.
"Façam as apostas. 10 minutos. 8 minutos e meio. 15 minutos. 12 minutos..."
Depois de uns 15 minutos saem os dois e a festa começa. Sem eles saberem. Meia hora depois chega a puta de novo com outro cara e mais apostas. Mas ja eram duas da manha e viemos pra casa.
Ontem fomos jantar com o Golfa e a Mae dele e mais uns amigos. Soh nao sabiamos que eram 18 pessoas. Fomos de moto. O que nao me agradou mto. Moto nao, aquela motinho. Mas mesmo assim eu tenho medo. Muita confusao. Despedida da ex do Golfa que ia pra Las Vegas se casar. Maximo. Pizza. Grande demais. Pqp. Comi soh metade. Mas muita conversa, muito risada em um lugar foda. Muito verde em volta. Um campao. Bem legal.
Hoje eu trabalhei feito um corno. Fizemos 20 sorvetes diferentes. Ele tah sempre refazendo pra nao ficar velho e talz. Subimos e ele dormiu ateh as 22h. Eu aproveitei e vi dois capitulos de "Paginas da Vida" ehehehe. Depois vimos um filme mas ele voltou a dormir.
Agora estou sem sono, morrendo de calor e no computador.
Por enquanto eh isso. Se eu lembrar de algo eu volto!

Quase uma
semana. O mar estava calmo. Sensação de dia perfeito. E nenhum dia é perfeito.
Então eu sabia que alguma coisa aconteceria. Já estava me preparando. Liguei
para todos os meus amigos e resolvemos dar uma festa. Sempre de óculos escuros
para amenizar o meu problema com a visão. Marquei para o mesmo dia no meu
apartamento, como de costume. Chegaram os convidados e as bebidas. Mais bebidas
que convidados honestamente. Era meu grupo seleto com umas quinze pessoas.
Vinte quando alguém de fora era convidado. Ângela como sempre não faltou.
Música alta
e pessoas por todos os lados. Eu dançava de olhos fechados. Luzes e velas. Cada
um com um copo na mão e cada copo com algo diferente, sempre alcoólico. Beijos
descontrolados, bocas nervosas. Conversas iguais. Os assuntos eram os mesmos de
sempre. Cada um ali era especial de um jeito. Mas quando juntos nunca mudava. Puxei
Ângela para dançar. Ali éramos irmãos. Tratávamos-nos assim. Os outros eram os
primos. E assim por diante.
Sentei-me um
pouco. Minhas pernas estavam cansadas. Mesmo sem conseguir ver o rosto de ninguém,
apenas o de Ângela, eu conseguia reconhecer cada um daquele lugar. Cheiros e
gestos. Vozes e roupas. Eu identificava cada um, sem erro. Muitos deles eu
conhecia de longa data. Os encontros sempre em festas. Era difícil
encontra-los em lugares diferentes. Poucas oportunidades ou mesmo vontade. A
intimidade dentro de um apartamento era enorme. Fora éramos quase
desconhecidos. Além de um ou outro é claro, mas a minoria.
O som não
parava de jeito algum. Fui até o banheiro e vi alguém já vomitando. Dei meia
volta e fui procurar alguma outra coisa para fazer. No quarto alguns casais
formados no decorrer da festa se amassavam. Na cozinha apenas duas amigas
conversando e limpando um pouco da bagunça. Duas e trinta e cinco da madrugada.
Aquilo estava longe de acabar e minha cabeça já doía. Uma delas puxou meus óculos,
mas eu logo o tomei de volta, dando uma desculpa qualquer. Decidi ir até a
varanda, onde incrivelmente não havia ninguém.
Fechei novamente
os olhos. Apoiei minha cabeça em minhas mãos. Deu-me vontade de colocar tudo
para fora. Não sei se era vomito, palavras ou lágrimas. Tranquei tudo dentro de
mim. Minha imaginação voava. Cenas apareciam em minha mente. Coisas que eu não
sei nem se já aconteceram. Pessoas brigando. Pessoas transando. Pessoas que eu
não conhecia. Concentrei-me, tentando visualizar melhor cada uma delas. A música
me dificultava. Não conseguia discernir imagem e som. Uma cena da outra. Apenas
fiquei ali durante alguns minutos.
Subitamente
eu apaguei. Ninguém percebeu. Estava tudo preto na minha frente. Conseguia
ouvir as vozes das pessoas dentro do meu apartamento. Conseguia ouvir a música,
mas não conseguia me mexer. Alguns segundos após minha queda alguém veio até a
varanda e tentou falar comigo. Só então perceberam que algo errado estava
acontecendo comigo. Gritos. Desespero. “Alguém viu o que aconteceu com ele?”.
Alguém perguntou. Abri os
olhos. Conseguia ver, mas ainda estava imóvel. Tiraram meus óculos do meu
rosto. Tentei falar, em vão. Surpreendentemente conseguia enxergar cada
face ao redor de mim. Pisquei e novamente as sombras voltaram. Fechei os olhos
e abri mais uma vez e as pessoas se misturavam. Cores se entrelaçavam. Vi Ângela
se aproximando. “Alguém pega o carro e vamos para o hospital”. Ela gritava
desesperada. Eu só mexia os olhos. Algumas pessoas me pegaram no colo e me
levaram até o carro. Tudo estava embaralhado e eu apaguei mais uma vez.


Enfim me
senti aliviado. Achei que tivesse acabado. Ficamos algumas horas conversando e
consegui esquecer um pouco o que tinha acontecido. Finalmente a fome bateu.
Aliás, meu estômago doía. Não havia comido nada o dia inteiro. Já era quase
noite. Tomei um banho. Daqueles em que a água parece levar tudo para o ralo.
Aqueles banhos libertadores. Ri da situação e da paranóia. Arrumei-me e ligamos
para alguns amigos. Fomos até o restaurante japonês de costume. Tudo normal.
Pedimos mesa
para cinco. Olhava ao meu redor para me certificar que não havia nenhuma nuvem
estranha pairando sobre o local. Comíamos e bebíamos um pouco que saquê. Risos,
muitos risos. Não contei a ninguém. Conversávamos sobre a festa do dia
anterior. Copos. Pessoas. Música. Imagens voltavam à minha cabeça. Flashes.
Cada um contava um pouco do que lembrava e assim montávamos um enorme
quebra-cabeça. Comecei a sentir dores. Primeiro a vista. Depois a cabeça.
Tudo começou
a ficar turvo. Virava meus olhos em todas as direções e tudo estava embaçado.
Parecia um filme psicodélico. Tudo distorcido. Ângela percebeu que eu não
estava bem. Ouvi sua voz chamando meu nome e olhei para ela. Tudo em volta se
misturava menos ela. Seu corpo sentado se destacava daquele borrão de cores. O
garçom chegou trazendo mais comida. Tudo parou. Agonia. Angústia. Tensão. Tudo
estava normal novamente. Seu rosto. Mais uma vez eu via a nuvem. Desesperei-me.
Olhei para as pessoas ao meu redor e todas falavam ao mesmo tempo. Todas sem
rosto. "Ângela!". Ela não. Com ela nada acontecia e eu me perguntava
o motivo.
"Vem
comigo". Pedimos licença e ela me levou para fora do restaurante.
Sentamos-nos em um banco. Muita dor de cabeça. Parecia que eu ia apagar ali
mesmo. "De novo". "Como?". "Não sei. Tudo de novo.
Está tudo embaçado. Dessa vez foi pior". "Vamos embora". Ela
pagou a nossa conta e deu uma desculpa qualquer. Entramos no carro e ela me
levou até em casa. No
caminho contei o que havia acontecido. E contei que ela era a única pessoa que
eu conseguia ver o rosto. Ela se ofereceu para dormir no meu apartamento e
assim fez.
Estou de pé.
Nada ao redor de mim. Apenas um cigarro aceso no chão. O piso é branco. O
horizonte é branco. Minhas roupas são pretas. Uma calça e uma blusa de manga
comprida. Avisto alguma coisa se aproximando. Ângela e algumas pessoas. Tudo começa
a se contorcer e me sinto caindo de algum lugar muito alto. Não tenho medo.
Estou de volta ao mesmo lugar. Ângela ainda está ali. Reconheço algumas
pessoas. Obviamente todas sem rosto. Ela sorri. Olho para minha mão e vejo um
copo cheio com alguma bebida. Na minha mão um comprimido. Subitamente todos vão
embora, menos Ângela.
Acordei com
o cheiro do café sendo preparado. Minha vista demorou a se acostumar com a
claridade. Já passava das dez da manhã. Ovos. Como ela conseguia comer isso tão
cedo, eu me perguntava. "Bom dia". "Quer comer alguma
coisa?". "Tudo menos ovo". Gargalhadas. Ela sabia como eu não
gostava de ovo. Peguei uma xícara de café e um pão. Fui até a janela. "Um
lindo dia". "Vamos andar na praia?". "Não sei. Será que não
vai acontecer de novo?". "Se isso continuar assim você vai ter que se
acostumar. Ou entender. Ou os dois".
Preparamos-nos e descemos. A praia estava cheia. Eu
realmente estava começando a acostumar com aquela situação. Conseguia encarar
as pessoas e notar melhor a sombra. Sentamos-nos em um quiosque e pedimos água
de coco. "Alguma idéia do que pode ser isso?". "Ainda não, mas
eu sonhei com você". Contei tudo o que eu lembrava e tentamos decifrar.
Adorávamos fazer isso. "Será que têm alguma ligação com a festa?"
"Mas como?". Eu realmente não fazia noção do que poderia estar
ligado.
[CONTINUA]

 | Gotas | May 3, '06 7:18 PM for everyone |
Só queria entender o motivo de
escorrerem e caírem.
De molharem e me tornarem mais salgado.
Quando do sal só nasce azul.
E do azul não nasce nada.
Só queria me explicar o motivo de escorrerem e salgarem.
De caírem e molharem.
Quando do nada, nada nasce.
Quando do nada vem em
baque.
No horizontal caem verticalmente.
No horizonte não existem mais.
Os vestígios de palavras que se tornam tais.
Só queria entender o nascimento.
De onde vêm. O aonde vai eu sei.
Do lugar algum surge.
Pro lugar algum que vai.
Pro infinito conhecido
As gotas tais.

Ontem quando
eu acordei me senti amedrontado. Tentei gritar por alguém, mas todos já tinham
partido. Na festa que dei anteontem havia por volta de 50 pessoas. Não conhecia
metade delas, mas gostei de todas. Passamos a noite dançando. Bebendo. Fumando.
E algumas outras coisas. Acho que todos se divertiram como eu. Os sinais são
claros: um pouco de vomito no chão do banheiro, um porta retrato quebrado e
muito cigarro espalhado pela casa.
Levantei-me
alguns segundos depois do desespero para lavar o rosto. Lembrei que não havia
dormido sozinho. Imagens eram processadas lentamente pelo meu cérebro ainda um
pouco danificado e nelas continham cenas minhas beijando algumas dessas
pessoas. Acho que fizemos sexo. Eu e mais dois, três. Ainda não consegui
decifrar muito bem.
Abri a
torneira e deixei a água escorrer um pouco, ainda de cabeça baixa. Com as mãos
juntas, peguei um pouco daquela água e botei na boca, cuspindo logo em seguida
e repetindo isso mais umas duas vezes. Na terceira vez molhei o rosto e me
olhei no espelho. Um estranho borrão cobria minha cara. Lavei mais uma vez o
rosto, achando que era mais uma viagem da minha cabeça. Quando me olhei
novamente o borrão havia saído. Chamei-me de louco e fui até a cozinha.
Tive que
chutar algumas almofadas do meu caminho que me impossibilitavam de chegar lá.
Copos e mais copos sujos em cima da pia. Garrafas e mais garrafas enfileiradas
no chão. Alguém catou algumas coisas, mas não faço idéia de quem. Procurei
qualquer coisa que pudesse ser engolida na geladeira, mas não havia nada de
sólido e não alcoólico. Liguei para a lanchonete mais próxima e pedi um cheeseburguer
e um suco de melão. Sentei-me no sofá e liguei a televisão.
Inclinei a
cabeça para trás e fechei novamente os olhos. Outras imagens eram catalogadas
pelo meu cérebro. Pessoas dançando com copos de uísque na mão. Cinzeiros
lotados. Fotos. E era tudo assim que eu via. Imagens estáticas ou com
pouquíssimo movimento que limitavam todas as minhas memórias. O interfone tocou
e eu levantei para atender.
Meu estômago
me implorava por comida. Abri a porta e fui pegar o dinheiro. Quando eu voltei
o entregador já me esperava. Olhei para as sacolas e logo depois olhei para o
rosto dele. Mais uma vez eu via apenas um borrão meio acinzentado que não me
permitia enxergar as feições. Cocei-me os olhos e tentei vê-lo mais uma vez,
mas não deu resultado. Assustado paguei rapidamente e fiz com que aquilo
terminasse. Aquilo não fazia sentido. [CONTINUA]

A partir de
toda escolha se pressupõe uma renúncia. Partindo deste ponto, é tão difícil
descobrir o que precisa ser abandonado. E quando me encontro agora nessa
divisória, sinto-me como um ser humano normal decidido a fugir. Mas fugir é
outra renúncia, então nada pode ser feito.
Encaramos a
vida com certa dificuldade e passamos pelas mesmas coisas todas às vezes. Não
existe uma forma de endireitar nada, muito menos de tornar tudo fácil, uma
palavra que não se encaixa em nada relacionado ao ato de estar sentindo e
pensando.
Quando se
abandona alguma coisa ou alguém recebemos de nós mesmos as piores sensações já
experimentadas. É o nosso presente de grego, que nós mesmos nos damos como uma
forma de dizer “Vai, vejamos o que fazemos com isso. Cresça e escolha. Sofra e
se alegre". Algo dramaticamente chamado de morte e vida.
O que é
morrer senão, mais uma vez, uma “escolha”, uma renúncia? Os que ficam vivos
permanecem para chorar e os que morrem partem para viver algo além. Nós
sofremos, eles sofrem. E a vida continua a não ser facilmente traduzida.
Mas por que
eu falaria de algo assim? Porque todos nós fazemos isso a cada minuto. Agora eu
poderia estar dormindo. Mas estou escrevendo. Aonde isso vai me levar? Aonde me
levaria se eu estivesse dormindo? E amanhã, quando eu tiver que decidir para
onde eu vou, minha vontade única e exclusiva será a de sentar e chorar.
Gostaria de
não ser tão fraco ao ponto. Mas como? Como escolher entre direita e esquerda? Por
que a vida não nos dá diagonais? Saídas pelas culatras que poderiam resolver
tudo. Meu Deus! Quantas coisas! Quantos sim e quantos não. Quanta coisa. Quanta
dúvida.
Mas sim.
Amanhã quando eu tiver que decidir o que será melhor para mim, eu darei uma
resposta. Eu direi a todos que eu preciso pensar. Pensar nos que estão ao meu
lado e serão abandonados por meses. Pensar naquele que me espera do outro lado
do mundo e que pretende me fazer feliz. Pensar no meu futuro e esquecer um
pouco o passado.
Quando eu
penso em tudo o que eu já passei por essas terras, me sinto triste. Por ter
passado e por não voltar. Mas se passou é memória e o futuro insiste em chegar
hora após hora, minuto após minuto. E ninguém pode enganá-lo. Muito menos eu.
Então eu estou indo. Recebendo o futuro de braços apertos e coração apertado.
Todos têm
medo de mudanças. Eu tenho medo de mudanças. Mas nada pode ficar estagnado.
Então estou mudando. E me mudando.
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