O "Ser" e o "Não Sei"

Parole Para Everyone

Blog EntryQuadriciclosJan 26, '09 10:31 PM
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Muita coisa acontece depois que você descobre que seu ex-namorado é o "Psicopata Italiano" e percebe que ele, de nada, lembra o Christian Bale. Junta isso com a redescoberta de que você, nem de longe, sabe o que quer da vida. Adicione um pai super legal.

Hoje eu decidi que vou sair do país. Vou pro México tentar a sorte como ator de novelas.
#prontofalei. Porque eu acho que o Multiply é o Twitter.

Faz tempo que choro no meu interior com a infelicidade de me chamar Carlos. Não entendo o porquê de minha mãe ser tão cruel e não me dar um nome duplo como Carlos Frederico ou Carlos Manoel. Mas a vida não é facil e sei que se fosse assim, minha aventura no México seria muito mais tranquila. Nunca nada é tranquilo.

A verdade é que cansei de comunicação social - que de cú, é rola. Decidi fazer turismo, só que esqueci de me matricular. Aí eu decidi fazer turismo. Não tanto turismo pela palavra. Vou ser turista no México pra tentar ganhar a vida. Vou trabalhar como garçom para juntar dinheiro pra fazer a CAL, digo, CAG - Casa de Artes de Guadalajara. Meu sonho é ser Betty, mas eu sou bonito.

O que importa - realmente - nisso tudo é que eu vou sair daqui. Vou tentar, agora de verdade, me achar nem que seja me achar bebado dormindo em uma lata de lixo. Vou procurar como são as latas de lixo do México pra poder já ter uma noção do tamanho do travesseiro que preciso levar.

Só fico triste de deixar as novelas brasileiras para trás. Foda-se os amigos, eu fico puto mesmo é de perder a nova novela do Manoel Carlos. Mas tudo isso é por um sonho maior. Me tornar o maior ator de novelas mexicanas e ser convidado pelo Fantástico para fazer uma matéria sobre minha vida.

Ai, sonhos e esperanças para doismilenove...

Blog EntryQuarenta e seis minutosDec 20, '06 11:59 PM
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Estava indo dormir, mas parou para falar com um amigo na internet. Se sentiu útil, valorizado. As mil dúvidas sobre o futuro perderam um espaço no vazio. Instantes preciosos e simples. Fumou vários cigarros. Comeu dois pães e bebeu um copo de pepsi light com dois cubos de gelo.

Nunca soube fazer nada perfeito, mas sempre soube fazer tudo direito. O que mais gostava de fazer estava de certa forma esquecido. Adormentado. Só que aqueles 46 minutos foram o suficiente para acordar aquilo. Ficou lendo e lendo. Fumou mais alguns cigarros. Se divertia com as próprias coisas. Lembrou-se de diversos momentos eternizados naquelas páginas. Fez projetos e voltou a escrever.

Está escrevendo ainda, mas não quero atrapalhar. Fiquem em silêncio por favor. A última coisa que desejo nesse momento é disturbar sua concentração. Estou feliz por ele. Quem sabe nesse próximo ano as coisas não mudem. Projetos de início de ano, eu sei. Pelo menos metade das coisas já está certa. Falta uma só, mas tenho certeza que acontecerá. Mais, tenho certeza que o ajudará tremendamente e o fará tomar novos rumos.

Ele está terminando. A música no rádio também está acabando. Uma canção italiana que diz algo como "Ate as minhas mãos. Ate minhas pernas." Não entendo muito a língua. Acredito que ele está indo na direção contrária. Os nós estão se desfazendo. A felicidade dentro de mim é tamanha que não consigo mais me expressar direito.

Uma outra música começou, mas a escrita dele acabou. Está indo dormir. Vou acompanhá-lo até a cama. Boa Noite.

Blog EntryPela Estrada 2Nov 30, '06 1:42 AM
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E o cão, ao acordar, fez o caminho inverso. Não pegou estrada alguma e muito menos tentou voltar para casa. Ali, parado, se sentiu menor. Talvez a velhice tenha chegado em poucas horas, pensou. Talvez o tempo correu ao contrário. Pois ele estava bem ali, com todas as lembranças de tudo o que já havia vivido, mas com o tamanho de um recém nascido.
Ficou onde estava. Tentou entender o que havia acontecido. Fechou os olhos e procurou uma solução. Ao abrir novamente, desistindo de encontrar qualquer resposta, percebeu que o relógio do tempo realmente voltara ponteiros. Estava em casa. Correu para o quarto de seu dono e ele estava lá, dormindo. Latiu, latiu e finalmente o dono acordou daquele sono que durara tanto. Correu atrás dele e pediu para brincar no jardim. Antes, caminhou por toda a casa para se certificar de que tudo estava ali, perfeito e no mesmo lugar.
A emoção por estar de volta era maior que todos os cavalos e outros animais já vistos por ele. Mas a sensação de ter uma segunda chance o amedrontava. E se cometesse o mesmo erro de antes? E qual erro na verdade havia cometido para que tudo se tornasse tão difícil como estivera? Por um segundo, pensou estar arrependido de se sentir feliz. Como poderia, afinal, renegar o seu dono e todo o amor que lhe era dado?
Num ataque de pânico correu para debaixo da cama. Era o seu refúgio. E ali decidiu continuar até que resolvesse a questão. Já havia se acostumado com a vida na rua e já encontrava seus prazeres. Ao mesmo tempo, sentia saudade da emoção de correr pelo jardim enquanto brincava com seu dono. E aquela dúvida poderia deixá-lo ali, imóvel. Estagnado. Preso àquele medo incrivelmente grande. Decidiu sair. Devagar, para se certificar de cada passo. E caminhando foi...

Blog EntryArrepiosNov 30, '06 1:23 AM
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Então eu olho em sua direção
Mas você não presta atenção em mim, presta?
Eu sei que você não me escuta
Pois você enxerga através de mim, não enxerga?!

Mas cada vez mais
Da hora em que eu acordo
Ao momento em que vou dormir
Eu estarei lá do seu lado
Apenas tente me impedir
Estarei esperando na fila
Só pra ver se você se importa

Oh, você queria que eu mudasse?
Eu mudei de verdade
E eu quero que você saiba que você terá sempre seu lugar
E eu queria dizer

Você nao se arrepia?
Você se arrepia
Cante isso alto e em bom som
Eu sempre estarei esperando por você

Então você sabe o quanto eu preciso de você
Mas você nem me vê. Ou vê?
E essa é a minha ultima chance de ter você?

Mas cada vez mais
Da hora em que eu acordo
Ao momento em que vou dormir
Eu estarei lá do seu lado
Apenas tente me impedir
Estarei esperando na fila
Só pra ver se você se importa

Oh, você queria que eu mudasse?
Eu mudei de verdade
E eu quero que você saiba que você terá sempre seu lugar
E eu queria dizer...

Você nao se arrepia?
Você se arrepia
Eu sempre estarei esperando por você

Sim, eu estarei sempre esperando por você
Sim, eu estarei sempre esperando por você
Sim, eu estarei sempre esperando por você
Por você eu estarei sempre esperando

E é você quem eu vejo
Mas você não me vê
E é você, que eu ouço
Em alto e bom som
Eu canto em alto e bom som
E eu estarei sempre esperando por você

Coldplay - Shiver


"""Ciclos. Triciclos. Quadriciclos.
As coisas mudam de valores e estes são invertidos.
As inversões trocam de lugar, que são desvalorizados.
Os lugares e as coisas são sempre ciclos.
Triciclos. Quadriciclos.
Não importa os ciclos que forem.
Eles estarão sempre ao seu redor.
Até você sair do ciclo. Dos triciclos.
E com quadriciclos."""




Blog EntryO que sera, que sera?Sep 12, '06 9:43 AM
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(Me perdoem pela falta de acentos. Aqui na Italia nao tem acentos no teclado)


E começa assim:

"Quando eu estava ainda na casa dos 20, a Cinha. Na verdade ainda tenho, pois eu a conservo ateh hoje. Ta guardada ali , no armario, do lado do pote de picles em conserva."

E a Cinha nao fumava pela gramatica. Por que ela gostava do LA e soh tinha LM. E ela se emputecia. Mas ontem eu resolvi comer pela gramatica. Que mal pode haver nisso? A vontade de comer Tortellini era imensa mas o restaurante estava fechado. Entao, decidido em fazer aquilo, fui na loja, e comprei Tortillas. Se a gramatica eh parecida, o saber eh quase o mesmo (?!)

Mas isso eh a parte mais irrelevante da historia, que começa...

Agora.

Enquanto eu pensava na Cinha dentro de um pote de conserva - eu estava rindo. E Eu estava imaginando proprio esse post, onde eu, lah pelos 40, falava sobre os meus amigos. Sera que eles ainda estarao comigo? Todos pensam nisso. Eu PRECISO de ter todos os meus amigos retardados (e os serios tb, mas eles nao existem por enquanto) comigo fazendo festa no motel com 40 anos. Ou indo pra casa da Vanessa (que jah estara casada e com filhos) pra beber com os fillhos dela, assim como faz a mae dela hoje. E eu PRECISO fazer todas as piadas sincronizadas com a Cinha. Chamar a Brenda de maconheira, a Carol de lenta, o PC de anao e me jogar em cima do Fernando. E levantar a saia da Paty quando ela jah tiver com a bunda flacida e a perna cheia de celulites e estrias. Quero levar a Paulinha no carro (pq espero que ela jah tenha um carro ateh lah) e rir da cara da Cris. Beber e jogar com a Thais. Ir almoçar com a Bruna na Urca. Inventar coisas pra Luciana acreditar. ir pro cu da foca com a DNTT. Conversar sobre filosofia com a Joana durante noites...e passar outras noites fazendo reunioes com as meninas da vila, pra lembrar todas as merdas que fizemos em todos os anos. Ir pro predio da Ana e da Talita, pedir pizza no Xodo (mesmo que ela jah esteja morando em outro lugar) e ficar contando tudo o que aconteceu nas nossa vidas e rindo como animais. Ver os jogos de Futebol Americanona Praia com as Tatuetes...Mas por favor, nao pensem que eh sindrome do Peter Pan. Eu quero crescer, eu quero ter 40 anos e eu quero fazer essas coisas ainda pq sao as coisas que mais me deram alegria nesses ultimos anos. E sabe como eu sei que isso eh possivel?

Meu irmao. Que desde a epoca do segundo grau mantem os mesmos amigos. Alguns se foram, obviamente. Mas a essencia eh aquela ali. Sao pessoas que frequentam minha casa ha mais de 15 anos. Alguns se casaram. Outros tiveram filhos. Pessoas novas se juntaram. Meu irmao jah tem 31 anos e eh tao retardado quanto a gente. Entao eu faço um pedido oficial, para todos que lerem esse post: Retardamento rumo aos 40. E depois aos 50. E todos juntos fazendo churrasco na final da copa de 2026. Esta combinado!

SaLdades de Todos Voces.


Blog EntryPela EstradaAug 5, '06 3:08 PM
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A rua feita de paralelepipedos machucava suas patas ainda frageis. Nao queimava como antes pois o sol ja havia sumido do ceu e agora uma bela lua minguante tomava o seu lugar. Ainda estava claro. Cadeiras enormes cobriam a calçada e pessoas comiam e bebiam nos restaurantes, falando alto como sempre e derramando vinho no chao. Um pouco mais pra frente, encontra pelo chao uma pequena poça marrom escura. Uma pausa para cheirar e reconhecer o que era aquilo. Uma timida lambida mostra o sabor de chocolate. Ainda estava gelada e isso so poderia dizer que era um sorvete que alguma criança desastrada deixou cair. Um forte barulho surge ao seu lado e este se poe a correr pro outro lado da rua. Atento, repara em todos os movimentos daquele homem magro e careca, que carrega uma caixa vazia de leite e a leva ate a lixeira. Sentada em frente a sorveteria, uma jovem senhora loira, por volta dos quarenta anos, que fuma um cigarro e observa o movimento na rua. O homem careca fala alguma coisa pra a tal senhora, coisa esta que obviamente é inintendivel. Um latido e um grito. Na mesma hora o sentimento de solidao que ha tanto sentia se torna mais forte e o faz fugir.

Andando lentamente por aquela estrada sem fim, sua tristeza vai aumentando gradativamente. Que saudade daquela epoca em que seu dono lhe dava tudo o que precisava. Acordava junto a ele e ia brincar no imenso jardim. Quando o sol chegava no topo da sua rota, sabia ja que era hora de almoçar, indo dormir logo depois, tirando uma bela soneca por umas duas horas. Alem de todos os seus amigos que moravam ao redor. Ate que um dia o dono nao acordou mais. Chegaram umas pessoas desconhecidas e ele entao fugiu, com medo.

No bar de esquina tocava uma musica. Uma melodia suave com a voz de uma mulher. "I'm so tired, of playing with this bow and arrow..." dizia a cançao. E o cansasso tomava conta do pequeno canino. Suas patas ainda frageis pediam descanço e seu faro o levou a um lugar escondido e seco o suficiente para dormir. Seus olhos pesaram, suas patas se sobraram e ele se adormentou. Sozinho, como ha tempos estava e se sentia.


Blog EntrySobre a Faxina ou Saudades da MaeAug 4, '06 2:00 PM
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Pois bem. O Kk é chique e ta nas Oropa.

E ta aprendendo a fazer faxina.

Como eu sou uma boa pessoa, ajudo sempre o Sergio a lavar as coisas que ELE suja pra fazer sorvete. Assim, bastantes coisas no meu plural errado. E como ele e uma pessoa legal me da um dinheiro pra fazer isso.

Mas a minha coluna nao aguenta. Nao, nao aguenta.

Todos os dias eu me levanto entre 10 e 11 da manha e desço pra fazer a faxina. Varro, passo pano, limpo o balcao. Alem disso lavo as coisas sujas e varro, passo pano, limpo. Termino quando ele termina. Logicamente se ele decidir trabalhar o dia inteiro eu sou obrigado a fazer o mesmo!

Ferias! Oba!

Mas como eu sou uma pessoa que sabe viver em comunidade...

Faço faxina em casa também. Ainda mais agora que a mae dele viajou e estamos soh eu, ele e a irma, Daniela. Hoje mesmo eu varri. Varri. Varri a casa inteira. Tambem tirei a roupa da maquina, coloquei roupa pra lavar na maquina e lavei roupa na mao. Uma bermuda, ok. O Casaco eu nao consegui. So nao passei pano pq a Dani chegou e falou que faria.

Adoro pessoas gentis.

Mas, ai, minha coluna.

Que saudade de morar com minha mae.


Blog EntryMeu verde que te quero verde.Jul 28, '06 2:47 PM
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[CENA 1]

[Menina triste no terraço. Anda e conversa com as plantas. Chora um pouco. Se senta perto dessas plantas. Entao, começa a cantarolar uma musica.]

"Tao triste eu estou, me diga porque, eu sei que nao da pra dizer.

Tao triste eu estou, ninguem quer saber. Soh mesmo voce pra entender.

Meu verde que te quero verde, motivo da minha esperança.

Meu verde que te quero verde, pro mundo virar mais criança."

[Frutas entao começam a brotar. Ela pega uma delas, abre e passa no rosto. No fim, se adormece.]

Pra quem nao se lembra, se trata obviamente de Lua de Cristal. Cena um pouco modificada.

Agora.

Substituam a menina triste por mim, cansado.

Esqueçam a parte da fruta tb, suja muito.

Mas me ponham num jardim, tirando as plantas que matam as outras plantas que nao sei como se chamam.

Mas mantenham a musica.

Isso era eu ontem.

Oi, meu nome praticamente é Maria da Graça.


Blog Entry"O cego que podia ver" - parte ultimaJul 26, '06 6:03 PM
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Acordei. Desta vez sabia tudo o que tinha acontecido, mas preferia nao saber. Abro os meus olhos. Ou nao. Por mais que eu ja estivesse acostumado, ainda me sentia irritado por nao saber o motivo daquele loucura toda. Sinto cheiro de hospital. Ainda nao me levaram pra casa. Enfim decido abrir os olhos. Nenhuma novidade. Tudo turvo. Nem me dou o trabalho de me preocupar e perguntar algo ao medico.

Hora de ir embora. Angela sempre ali do meu lado. Te levo em casa, estou com o carro ai fora. Nao sei o que seria de voce. Acho que seria melhor nao ter dito aquela frase. Uma unica frase capaz de armar uma bomba. Com a cara fechada andamos ate o carro. E a bomba explodiu. Uma explosao capaz de destruir uma cidade inteira e deixar milhares de desabrigados. Uma explosao interior que se exteriorizou apenas em mim. Uma bomba capaz de destruir uma cidade inteira sobre mim. Obviamente, fiquei em pedaços.

Estou cansada dessas merdas que voce faz. Estou cansada de ter que te carregar. Pro hospital. Pra cama. Pra fora dos lugares. Voce nao esta bem e age como se estivesse tudo em ordem. Quando voce vai crescer? Quando voce vai se portar como um adulto? Quando eu vou poder parar de me preocupar com tudo o que voce faz? Voce me assutou porra! Eu nao aguento mais. Eu sou sua amiga. Eu te amo. Mas assim nao rola, porra. Porra! Seu filho da puta! Tua mae nao tem nada a ver com isso! Tu foi achado na lixeira, seu merda! Eu tava morrendo de preocupaçao naquela bosta de sala de espera!

Algumas das frases que eu consegui ouvir alem do impacto. O pior era pensar na realidade de cada letra saida de sua boca. Eu nunca precisei acordar pra vida e o alarme estava tocando uma musica ensurdecedora bem ao pé do meu ouvido.

Sai do carro! Sai do carro! Lagrimas. Minhas e dela, que parou o carro assim que pode. Puxei a maçaneta. Botei um pe para fora e ela gritou novamente. Nao sai do carro porra! Seu merda! A unica face que eu poderia olhar sem neblinas agora me deixava constrangido. Meus olhos nao subiam e eu nao os forçava. Eu era um cao arrependido sem aquele charme extra que um cachorro tem. Mas ai ela grita novamente. Olha pra mim! Olha na minha cara e me diz que estou errada!

Senti uma mao puxando meu queixo. Com toda a força que Angela sempre teve, foi muito rapido e assustador. Fui virado a força em sua direçao, pisquei os olhos. Fraçao de segundos. Neblina. Nao conseguia ve-la. Novamente nao conseguia ve-la. Me apavorei e gritei.

Açao e Reaçao. Grito. Susto. Força.

Na hora nao sabia o que fazer. Lembro que ele foi empurrado pra tras, por mim e a porta ainda estava aberta. Ele caiu. Um pouco torto e bateu a cabeça no chao. Sangue. Sai do carro e grito. Ele nao responde.Sangue. Medo. Coloquei ele novamente no carro e voltei pro hospital. Essa rotina ja esta me estressando. Chegamos no hospital. Emergencia. Emergencia. E nada de ele acordar. Morto. Nao. Nao. Morto nao pode estar. Desespero. Lagrimas e lagrimas. Lagrimas.

Pensei que nunca fosse acabar. Levaram ele la pra dentro e nao deram noticias. Segundos eternos. Aquele homem de branco portador de noticias ruins se aproximava com toda a calma que eu nao tinha. Olhava em volta e nao tinha ninguem pra me segurar caso eu caisse. Por favor, nao soletre. Diga as palavras inteiras. Sem respirar. Sem usar termos. Sem demora.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1

Ele esta lah dentro.

Isso eu ja sei.

Esta tudo bem, pode ficar tranquila.

Alivio. Mas mesmo assim eu cai.

Quando eu acordei Angela estava ja ao meu lado. Olhei pro seu rosto que sorria com uma raiva enorme de mim, mas estaria ali pra sempre se fosse por mim. Nao tinha mais neblina, nem nada turvo em volta dela. Recebi um abraço como nunca havia antes. E assim eu percebi tudo o que estava acontecendo. Minha vida dando mil giros por segundo. Pessoas instaveis e eu me desestabilizando cada vez mais, tropeçando em pedra atras de pedra. As relaçoes inexistentes com as pessoas se materializou e me fez deixar de enxergar o que eu ja nao via, mas pelas vias de fato. Tanto sofrimento para perceber o que era obvio. E as vezes o obvio so é obvio pra quem o ve assim. E entao eu entendi.

FIM


Blog EntryO Kk Foi Raptado! Eh!! Raptado!Jul 26, '06 3:45 AM
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Aviso a quem interessar possa, que todos que tem inveja da Xuxa em Lua de Cristal pode começar a me invejar também.

[Pausa para o inicio da inveja]

O Sergio tem uma moto. Daquelas que o Bob tem no filme. Nao daquele modelo mas o que vale eh a intençao. E agora eu rodo pela cidade de moto.

Nao vejo a hora de passar por um tunel pra ver se a moto vira um cavalo lindo e o Sergio vira o Sergio Mallandro (oi!?).

Mas eu queria msm era ser raptado pelo Mauricinho. Depois me afogar tomando varios caixotes no raso. Aih o Sergio me pegava, gritava meu nome. Paquitas e Paquitos em volta de mim. Todos chorando.

Mas claro que depois eu acordava, dizia: Ha! Nao morri! Era brinks!!

E logo depois ia fazer um show cantando Lua de Cristal.

Que maximo!


Blog EntryResumao Segondo. Ainda Sem AcentosJul 19, '06 8:19 PM
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E na pausa pro cigarro:

"Hi...do u have.." - chego eu e minha humildade pra pedir um isqueiro, visto que tinham jogado o meu fora no aeroporto do rio e esqueci de comprar em paris.

"Oi! Voce estava no mesmo voo que eu...na fileira na minha frente!!

Como diabos ela lembrava eu nao sei, mas encontrei a primeira brasileira da viagem. E aih e aih. Vai Pra onde Vai pra onde? Bla bla bla vou pegar o voo.

Mais duas horas naquele treco (desta vez nao tao enorme) que voa. E a aeromoça bandejeira mais simpatica ever.

Finalmente: Bologna. Terra de Ragu, Sergio e Calor. Dos Infernos. Por um momento eu pensei que o aviao tinha caido e eu nao tinha ido parar em Lost. Ai Sol. Ai Sol. Assim me queima, seu filho da puta.

Nao falarei de emoçoes aqui, encontros, nada disso. Pra quem ainda duvida da minha ansia de chegar aqui e ve-lo, passe para o proximo blog.

E que alegria ver essa cidade novamente. E de comer sorvete de graça a hora que eu quiser.

Daniela, a minha cunhada, abriu um sorriso enorme ao me ver. E o mesmo fez Angela. E todos os que eu reencontrei. Mas nada se compara a festa feita pela Valeria e sua filha Elena, pelas quais tenho maior simpatia e empatia. Foi otimo.

Comi sorvete e carreguei a mala 3 andares de escada. Ai coluna. E entao, obviamente, eu dormi.

Mas acordei mais tarde e fui comer pizza. Claro. O que mais eu poderia comer? Macarrao, ok, mas nao eu nao sou o maior fa. Entao. Pizza.

E assim foram todos os dias. Eu me levanto. Vou ate a janela. As minhas vias nasais sempre secas. Fumo o primeiro cigarro observando a vida da Via Saragozza e a enorme Porta Saragozza. Depois eu desço e faço o "estudante esquisitao que tem coragem de viajar pra ficar lavando o chao". Ta, eu lavo a louça e preparo sorvetes tb. Mas falar que sou faxineiro na Italia é mais cult e me da um ar intelectual, ok?

Eu nao consigo diferenciar muitos os dias. Mas em um dia eu fui ver um show que tava rolando numa praça aqui perto. Piazza Santo Stephano. Mas logo saimos e fomos pra Piazza Maggiore, onde montaram um telao enorme para o "Bé" (Bologna Estate) desse ano. E um festival de varias coisas por causa do verao. Tava passando "Desventuras em Series" com o Jim Carrey. Sempre dublado, pois aqui eles soh veem filmes dublados. Ai. Pagamos 5 euros por uma long neck de Becks. Uma cerveja ruim. E nada disso do que pensou a cinha. Eh soh cerveja.

No outro dia que fomos pra essa praça pro show tambem encontramos uns amigos dele da Escola. Nao lembro o nome agora. Mas uma era artista e parecia ter saido de "Os Nerds Contra atacam" ou algum filme com pessoas estranhas. Ja a Toni eh bem simpatica. Nao que a outra nao seja, mas ela eh artista. Estranha. Ficamos um pouco no show, muito bom. Nao lembro o nome da banda. Depois fomos num pub otimo onde bebemos mais cerveja ruim. A cerveja aqui eh mto ruim. Ai que saudade do Cu da Foca. Depois comemos uma pizza. Sempre.Mais tarde voltamos pro show e saimos no final pra ir a um lugar mega otimo. Se chama Quadriportico, mas imaginem um lugar quadrado. Grande. Com pilares e janelas, mas sem teto. Um buraco no predio. Era isso. Muitos estudantes. Cerveja mais ou menos. Mojito pessimo. E bate papo. E uma musica descrita como um folk psicodelico e lisergico. Interessante mas muito alto. Atrapalhava as conversas.

Dali pro Escorpione. De longe o lugar que eu mais amo. A Osteria. Ficamos sentados no murinho de fora com os amigos da Danie a Bettina que poderia ser Bettona de tao gorda. E aih a melhor parte. Cerveja mais ou menos. E uma mulher entrando em um predio acompanhada.

"Façam as apostas. 10 minutos. 8 minutos e meio. 15 minutos. 12 minutos..."

Depois de uns 15 minutos saem os dois e a festa começa. Sem eles saberem. Meia hora depois chega a puta de novo com outro cara e mais apostas. Mas ja eram duas da manha e viemos pra casa.

Ontem fomos jantar com o Golfa e a Mae dele e mais uns amigos. Soh nao sabiamos que eram 18 pessoas. Fomos de moto. O que nao me agradou mto. Moto nao, aquela motinho. Mas mesmo assim eu tenho medo. Muita confusao. Despedida da ex do Golfa que ia pra Las Vegas se casar. Maximo. Pizza. Grande demais. Pqp. Comi soh metade. Mas muita conversa, muito risada em um lugar foda. Muito verde em volta. Um campao. Bem legal.

Hoje eu trabalhei feito um corno. Fizemos 20 sorvetes diferentes. Ele tah sempre refazendo pra nao ficar velho e talz. Subimos e ele dormiu ateh as 22h. Eu aproveitei e vi dois capitulos de "Paginas da Vida" ehehehe. Depois vimos um filme mas ele voltou a dormir.

Agora estou sem sono, morrendo de calor e no computador.

Por enquanto eh isso. Se eu lembrar de algo eu volto!


Blog Entry"O cego que podia ver" - parte 4May 23, '06 11:56 PM
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Quase uma semana. O mar estava calmo. Sensação de dia perfeito. E nenhum dia é perfeito. Então eu sabia que alguma coisa aconteceria. Já estava me preparando. Liguei para todos os meus amigos e resolvemos dar uma festa. Sempre de óculos escuros para amenizar o meu problema com a visão. Marquei para o mesmo dia no meu apartamento, como de costume. Chegaram os convidados e as bebidas. Mais bebidas que convidados honestamente. Era meu grupo seleto com umas quinze pessoas. Vinte quando alguém de fora era convidado. Ângela como sempre não faltou.

Música alta e pessoas por todos os lados. Eu dançava de olhos fechados. Luzes e velas. Cada um com um copo na mão e cada copo com algo diferente, sempre alcoólico. Beijos descontrolados, bocas nervosas. Conversas iguais. Os assuntos eram os mesmos de sempre. Cada um ali era especial de um jeito. Mas quando juntos nunca mudava. Puxei Ângela para dançar. Ali éramos irmãos. Tratávamos-nos assim. Os outros eram os primos. E assim por diante.

Sentei-me um pouco. Minhas pernas estavam cansadas. Mesmo sem conseguir ver o rosto de ninguém, apenas o de Ângela, eu conseguia reconhecer cada um daquele lugar. Cheiros e gestos. Vozes e roupas. Eu identificava cada um, sem erro. Muitos deles eu conhecia de longa data. Os encontros sempre em festas. Era difícil encontra-los em lugares diferentes. Poucas oportunidades ou mesmo vontade. A intimidade dentro de um apartamento era enorme. Fora éramos quase desconhecidos. Além de um ou outro é claro, mas a minoria.

O som não parava de jeito algum. Fui até o banheiro e vi alguém já vomitando. Dei meia volta e fui procurar alguma outra coisa para fazer. No quarto alguns casais formados no decorrer da festa se amassavam. Na cozinha apenas duas amigas conversando e limpando um pouco da bagunça. Duas e trinta e cinco da madrugada. Aquilo estava longe de acabar e minha cabeça já doía. Uma delas puxou meus óculos, mas eu logo o tomei de volta, dando uma desculpa qualquer. Decidi ir até a varanda, onde incrivelmente não havia ninguém.

Fechei novamente os olhos. Apoiei minha cabeça em minhas mãos. Deu-me vontade de colocar tudo para fora. Não sei se era vomito, palavras ou lágrimas. Tranquei tudo dentro de mim. Minha imaginação voava. Cenas apareciam em minha mente. Coisas que eu não sei nem se já aconteceram. Pessoas brigando. Pessoas transando. Pessoas que eu não conhecia. Concentrei-me, tentando visualizar melhor cada uma delas. A música me dificultava. Não conseguia discernir imagem e som. Uma cena da outra. Apenas fiquei ali durante alguns minutos.

Subitamente eu apaguei. Ninguém percebeu. Estava tudo preto na minha frente. Conseguia ouvir as vozes das pessoas dentro do meu apartamento. Conseguia ouvir a música, mas não conseguia me mexer. Alguns segundos após minha queda alguém veio até a varanda e tentou falar comigo. Só então perceberam que algo errado estava acontecendo comigo. Gritos. Desespero. “Alguém viu o que aconteceu com ele?”. Alguém perguntou.

Abri os olhos. Conseguia ver, mas ainda estava imóvel. Tiraram meus óculos do meu rosto. Tentei falar, em vão. Surpreendentemente conseguia enxergar cada face ao redor de mim. Pisquei e novamente as sombras voltaram. Fechei os olhos e abri mais uma vez e as pessoas se misturavam. Cores se entrelaçavam. Vi Ângela se aproximando. “Alguém pega o carro e vamos para o hospital”. Ela gritava desesperada. Eu só mexia os olhos. Algumas pessoas me pegaram no colo e me levaram até o carro. Tudo estava embaralhado e eu apaguei mais uma vez.



Blog Entry"O cego que podia ver" - parte 3May 6, '06 5:59 AM
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Enfim me senti aliviado. Achei que tivesse acabado. Ficamos algumas horas conversando e consegui esquecer um pouco o que tinha acontecido. Finalmente a fome bateu. Aliás, meu estômago doía. Não havia comido nada o dia inteiro. Já era quase noite. Tomei um banho. Daqueles em que a água parece levar tudo para o ralo. Aqueles banhos libertadores. Ri da situação e da paranóia. Arrumei-me e ligamos para alguns amigos. Fomos até o restaurante japonês de costume. Tudo normal.

Pedimos mesa para cinco. Olhava ao meu redor para me certificar que não havia nenhuma nuvem estranha pairando sobre o local. Comíamos e bebíamos um pouco que saquê. Risos, muitos risos. Não contei a ninguém. Conversávamos sobre a festa do dia anterior. Copos. Pessoas. Música. Imagens voltavam à minha cabeça. Flashes. Cada um contava um pouco do que lembrava e assim montávamos um enorme quebra-cabeça. Comecei a sentir dores. Primeiro a vista. Depois a cabeça.

Tudo começou a ficar turvo. Virava meus olhos em todas as direções e tudo estava embaçado. Parecia um filme psicodélico. Tudo distorcido. Ângela percebeu que eu não estava bem. Ouvi sua voz chamando meu nome e olhei para ela. Tudo em volta se misturava menos ela. Seu corpo sentado se destacava daquele borrão de cores. O garçom chegou trazendo mais comida. Tudo parou. Agonia. Angústia. Tensão. Tudo estava normal novamente. Seu rosto. Mais uma vez eu via a nuvem. Desesperei-me. Olhei para as pessoas ao meu redor e todas falavam ao mesmo tempo. Todas sem rosto. "Ângela!". Ela não. Com ela nada acontecia e eu me perguntava o motivo.

"Vem comigo". Pedimos licença e ela me levou para fora do restaurante. Sentamos-nos em um banco. Muita dor de cabeça. Parecia que eu ia apagar ali mesmo. "De novo". "Como?". "Não sei. Tudo de novo. Está tudo embaçado. Dessa vez foi pior". "Vamos embora". Ela pagou a nossa conta e deu uma desculpa qualquer. Entramos no carro e ela me levou até em casa. No caminho contei o que havia acontecido. E contei que ela era a única pessoa que eu conseguia ver o rosto. Ela se ofereceu para dormir no meu apartamento e assim fez.

Estou de pé. Nada ao redor de mim. Apenas um cigarro aceso no chão. O piso é branco. O horizonte é branco. Minhas roupas são pretas. Uma calça e uma blusa de manga comprida. Avisto alguma coisa se aproximando. Ângela e algumas pessoas. Tudo começa a se contorcer e me sinto caindo de algum lugar muito alto. Não tenho medo. Estou de volta ao mesmo lugar. Ângela ainda está ali. Reconheço algumas pessoas. Obviamente todas sem rosto. Ela sorri. Olho para minha mão e vejo um copo cheio com alguma bebida. Na minha mão um comprimido. Subitamente todos vão embora, menos Ângela.

Acordei com o cheiro do café sendo preparado. Minha vista demorou a se acostumar com a claridade. Já passava das dez da manhã. Ovos. Como ela conseguia comer isso tão cedo, eu me perguntava. "Bom dia". "Quer comer alguma coisa?". "Tudo menos ovo". Gargalhadas. Ela sabia como eu não gostava de ovo. Peguei uma xícara de café e um pão. Fui até a janela. "Um lindo dia". "Vamos andar na praia?". "Não sei. Será que não vai acontecer de novo?". "Se isso continuar assim você vai ter que se acostumar. Ou entender. Ou os dois".

Preparamos-nos e descemos. A praia estava cheia. Eu realmente estava começando a acostumar com aquela situação. Conseguia encarar as pessoas e notar melhor a sombra. Sentamos-nos em um quiosque e pedimos água de coco. "Alguma idéia do que pode ser isso?". "Ainda não, mas eu sonhei com você". Contei tudo o que eu lembrava e tentamos decifrar. Adorávamos fazer isso. "Será que têm alguma ligação com a festa?" "Mas como?". Eu realmente não fazia noção do que poderia estar ligado.

[CONTINUA]


Blog EntryGotasMay 3, '06 7:18 PM
for everyone

Só queria entender o motivo de escorrerem e caírem.
De molharem e me tornarem mais salgado.

Quando do sal só nasce azul.
E do azul não nasce nada.

Só queria me explicar o motivo de escorrerem e salgarem.
De caírem e molharem.

Quando do nada, nada nasce.
Quando do nada vem em baque.

No
horizontal caem verticalmente.
No horizonte não existem mais.
Os vestígios de palavras que se tornam tais.

Só queria entender o nascimento.
De onde vêm. O aonde vai eu sei.

Do lugar algum surge.
Pro lugar algum que vai.

Pro infinito conhecido
As gotas tais.




Blog Entry"O cego que podia ver" - parte 1Apr 26, '06 1:18 AM
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Ontem quando eu acordei me senti amedrontado. Tentei gritar por alguém, mas todos já tinham partido. Na festa que dei anteontem havia por volta de 50 pessoas. Não conhecia metade delas, mas gostei de todas. Passamos a noite dançando. Bebendo. Fumando. E algumas outras coisas. Acho que todos se divertiram como eu. Os sinais são claros: um pouco de vomito no chão do banheiro, um porta retrato quebrado e muito cigarro espalhado pela casa.

Levantei-me alguns segundos depois do desespero para lavar o rosto. Lembrei que não havia dormido sozinho. Imagens eram processadas lentamente pelo meu cérebro ainda um pouco danificado e nelas continham cenas minhas beijando algumas dessas pessoas. Acho que fizemos sexo. Eu e mais dois, três. Ainda não consegui decifrar muito bem.

Abri a torneira e deixei a água escorrer um pouco, ainda de cabeça baixa. Com as mãos juntas, peguei um pouco daquela água e botei na boca, cuspindo logo em seguida e repetindo isso mais umas duas vezes. Na terceira vez molhei o rosto e me olhei no espelho. Um estranho borrão cobria minha cara. Lavei mais uma vez o rosto, achando que era mais uma viagem da minha cabeça. Quando me olhei novamente o borrão havia saído. Chamei-me de louco e fui até a cozinha.

Tive que chutar algumas almofadas do meu caminho que me impossibilitavam de chegar lá. Copos e mais copos sujos em cima da pia. Garrafas e mais garrafas enfileiradas no chão. Alguém catou algumas coisas, mas não faço idéia de quem. Procurei qualquer coisa que pudesse ser engolida na geladeira, mas não havia nada de sólido e não alcoólico. Liguei para a lanchonete mais próxima e pedi um cheeseburguer e um suco de melão. Sentei-me no sofá e liguei a televisão.

Inclinei a cabeça para trás e fechei novamente os olhos. Outras imagens eram catalogadas pelo meu cérebro. Pessoas dançando com copos de uísque na mão. Cinzeiros lotados. Fotos. E era tudo assim que eu via. Imagens estáticas ou com pouquíssimo movimento que limitavam todas as minhas memórias. O interfone tocou e eu levantei para atender.

Meu estômago me implorava por comida. Abri a porta e fui pegar o dinheiro. Quando eu voltei o entregador já me esperava. Olhei para as sacolas e logo depois olhei para o rosto dele. Mais uma vez eu via apenas um borrão meio acinzentado que não me permitia enxergar as feições. Cocei-me os olhos e tentei vê-lo mais uma vez, mas não deu resultado. Assustado paguei rapidamente e fiz com que aquilo terminasse. Aquilo não fazia sentido.

[CONTINUA]


Blog EntryRenúnciasApr 24, '06 4:00 PM
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A partir de toda escolha se pressupõe uma renúncia. Partindo deste ponto, é tão difícil descobrir o que precisa ser abandonado. E quando me encontro agora nessa divisória, sinto-me como um ser humano normal decidido a fugir. Mas fugir é outra renúncia, então nada pode ser feito.

Encaramos a vida com certa dificuldade e passamos pelas mesmas coisas todas às vezes. Não existe uma forma de endireitar nada, muito menos de tornar tudo fácil, uma palavra que não se encaixa em nada relacionado ao ato de estar sentindo e pensando.

Quando se abandona alguma coisa ou alguém recebemos de nós mesmos as piores sensações já experimentadas. É o nosso presente de grego, que nós mesmos nos damos como uma forma de dizer “Vai, vejamos o que fazemos com isso. Cresça e escolha. Sofra e se alegre". Algo dramaticamente chamado de morte e vida.

O que é morrer senão, mais uma vez, uma “escolha”, uma renúncia? Os que ficam vivos permanecem para chorar e os que morrem partem para viver algo além. Nós sofremos, eles sofrem. E a vida continua a não ser facilmente traduzida.

Mas por que eu falaria de algo assim? Porque todos nós fazemos isso a cada minuto. Agora eu poderia estar dormindo. Mas estou escrevendo. Aonde isso vai me levar? Aonde me levaria se eu estivesse dormindo? E amanhã, quando eu tiver que decidir para onde eu vou, minha vontade única e exclusiva será a de sentar e chorar.

Gostaria de não ser tão fraco ao ponto. Mas como? Como escolher entre direita e esquerda? Por que a vida não nos dá diagonais? Saídas pelas culatras que poderiam resolver tudo. Meu Deus! Quantas coisas! Quantos sim e quantos não. Quanta coisa. Quanta dúvida.

Mas sim. Amanhã quando eu tiver que decidir o que será melhor para mim, eu darei uma resposta. Eu direi a todos que eu preciso pensar. Pensar nos que estão ao meu lado e serão abandonados por meses. Pensar naquele que me espera do outro lado do mundo e que pretende me fazer feliz. Pensar no meu futuro e esquecer um pouco o passado.

Quando eu penso em tudo o que eu já passei por essas terras, me sinto triste. Por ter passado e por não voltar. Mas se passou é memória e o futuro insiste em chegar hora após hora, minuto após minuto. E ninguém pode enganá-lo. Muito menos eu. Então eu estou indo. Recebendo o futuro de braços apertos e coração apertado.

Todos têm medo de mudanças. Eu tenho medo de mudanças. Mas nada pode ficar estagnado. Então estou mudando. E me mudando.